sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



33- Ame
         
                          Paulinho da Viola 


Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar

Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?




segunda-feira, 3 de junho de 2013

E se acabássemos também com as vogais mudas?




Nenhuma língua terá algum dia uma escrita totalmente fonética ou organizada logicamente, mas como penso que nós brasileiros temos um problema sério com  o uso de nossa língua materna, e isso vale tanto para os que não sabem tanto, quanto para os que sabem bastante  -  basta ver como em reuniões a tarefa de escrever a ata passa de mão em mão como uma batata quente, ou melhor, fervente - creio que dois esforços precisam ser levados a efeito para melhorar essa paúra nacional:  1- Flexibilizar a norma culta para acolher os modos brasileiros de expressão, e 2- Avançar no sentido de simplificar e/ou tornar mais lógica a escrita do português.  

Vou me ater aqui ao segundo esforço.  O acordo ortográfico vai nesse sentido.  Uma mesma escrita para todos os falantes do Português  no mundo inteiro é uma boa pedida.  "Fato" continua significando "terno" lá em Portugal, mas a maneira de se grafar qualquer palavra tenderá a ser uniforme em todo  o mundo lusofônico.

 E uma das boas medidas desse acordo foi acabar (ou quase) com as consoantes mudas (existiam sem serem pronunciadas).  

Mas terminaram com o trema e muita gente não gostou disso.  Eu quero propor aqui uma solução radical para a falta do trema:  a eliminação das vogais mudas.   Isso mesmo.  Se as consoantes mudas caíram, por que não fazer o mesmo com as suas congêneres vogais?

Assim teríamos uma solução boa para a falta do trema.  "Linguiça teria a pronúncia do u". Já  "quero" seria substituído por "qero".  Ou seja, se a vogal aparece na palavra, ela tem que ser pronunciada.

O único ajuste adicional (mas que será percebido certamente como um pouco estranho) será reservar para a letra j o som "jjjjjjjj", e para a letra g  o som "gue".  Assim, "guerra" passará a ser grafada como "gerra" (o som jjjjj será exclusivo da letra j, lembram-se?); e "gente" será grafada como "jente".  

Qe tal? 







terça-feira, 21 de maio de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



32- Apagar-me      

                                     

                                             Paulo leminski

                                                                                                                        
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.




domingo, 5 de maio de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil





31- Disparada

                                                     de Geraldo Vandré e Theo de Barros


I

Prepare o seu coração
Prás coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar…

II

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte, o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar…

III

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu…

IV

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei…

V

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei…

VI

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente…

VII

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

VIII

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer mais longe que eu

IX

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei





quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil





 30 a lua no cinema

                                      Paulo Leminski
  


      A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
      a história de uma estrela
que não tinha namorado.


      Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
      dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!


      Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
      e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.


      A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
      que até hoje a lua insiste:
 - Amanheça, por favor!




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



29 - Bem no fundo 

                         
                                  Paulo Leminski



No fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
a gente gostaria 
de ver nossos problemas 
resolvidos por decreto 

a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela — silêncio perpétuo 

extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja que olhas pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 

mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos 
saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas.




quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Frases minhas do Face - 2





* Quando estiver vivendo um bom momento, não pense que ele vai acabar, pense que ele está existindo.




* Proponho um sistema que proteja as crianças das loucuras dos adultos. Nos EUA e orientais, é o sucesso a qualquer custo; em países governados pela religião, há a imposição fanática que sempre acaba em guerra ou em comportamentos excruciantes; quanto a países de corruptos como o nosso, as crianças são simplesmente abandonadas. E há muitas outras loucuras adultas sendo impostas às crianças pelo mundo afora.  Como as crianças dependem dos adultos mais próximos, torna-se necessário um sistema poderoso que possa impedir ou minimizar tudo isso.



* Até hoje, todas revoluções foram absorvidas pelo sistema. Que a próxima revolução absorva o sistema!

 


* O socialismo será implementado quando der lucro.

 

* E se a gente fosse para uma rua, em grande grupo, e a limpasse completamente, com todo o cuidado que reservamos aos espaços internos de nossas casas? Não seria um ato político bacana?




domingo, 6 de janeiro de 2013

Escola

                                                                                                    
Esse assunto me fascina, mas também entristece porque é muito difícil de resolver.  No intuito de produzir algum esclarecimento útil, vou tentar abordá-lo por um ângulo mais especificamente educacional, e não pelo ângulo costumeiro que localiza sua crise como um interesse político reacionário (desejo de manter as pessoas na ignorância para melhor controlá-las).
Há mais ou menos quarenta anos, a escola (ótima para os oito alunos de cada classe que conseguiam se formar no ginásio), na tentativa de ser menos repressora e excludente, procurou criar técnicas que ensinassem mais a quem aprendia pouco, ou, o que é quase a mesma coisa, que ensinassem a quem não queria aprender.  Passado esse tempo, o saldo é o pior possível, pois quem não quer aprender continua igual; e quem quer, sente-se como que relegado a um injusto segundo plano.  Com isso, até mesmo esses últimos (com raríssimas exceções) ficam muito despreparados, abaixo de seus respectivos potenciais.

Nesse ínterim e nesse sentido, foram desenvolvidos e aplicados monstrengos teóricos como o “construtivismo”, que basicamente coloca uma ênfase absurda na construção do conceito por parte do aprendiz – aquele processo de aulas divertidas que termina com o aluno dizendo “Entendi!” –   mas que despreza completamente outras etapas fundamentais, as quais envolvem treinamento, como a de ensinar o aluno a aplicar esses conceitos e, a mais importante, de ensiná-lo a aplicá-los bem e em um tempo socialmente hábil  (não adianta o médico saber como é a operação, ou precisar de 30 dias para fazê-la com qualidade,  é necessário que a faça bem e em tempo aceitável).  

Enfim, estacionando os alunos na fase do “Entendi!”,  não permitimos que sua ação fosse enriquecida pelo “conhecimento” adquirido.

A solução: para ensinar os que não querem aprender, ou que aprendem pouco, o caminho é levar em conta o que já se sabe sobre as várias inteligências humanas, para assim procurar e ensinar mais o que cada um quer mais aprender.  E ensinar completamente, vale dizer, passando por todas as etapas referidas aqui.

O ser humano é diverso, plural e precisa de treinamento para integrar o conhecimento à sua realidade; portanto, que as escolas sejam assim também.  Escolas multifacetadas e treinadoras.
                                                                                                         Humberto Cosentine

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

E se nós começássemos pedindo desculpas?



                                                                               

Discurso de arrependimento de nossos poderosos.


Queremos pedir desculpas.

Desculpas por termos forjado o governo Collor...

Desculpas pela destruição do ensino público básico...

Desculpas pela universidade gratuita ser para os ricos...

Desculpas por não aprovarmos logo a renda de cidadania,
que acabaria  com a miséria absoluta...

Desculpas por deixarmos passar na TV milhares de cenas de violência explícita 
enquanto as crianças ainda estão acordadas...

Desculpas igualmente pelas cenas de sexo na TV...

Desculpas por respeitarmos interesses excusos em troca de dinheiro depositado
em nossas contas no exterior...

Desculpas pelo fato dos ricos criminosos nunca cumprirem penas de prisão para valer...

Desculpas por permitirmos propaganda de cigarro e bebida alcoólica, além do mais,
propositalmente atraentes para as crianças...

Desculpas pela TV não estar obrigada a incluir crítica independente a seus programas,
propagandas e respectivos produtos...

Desculpas por saborearmos guloseimas a todo momento, 
enquanto suas crianças sentem fome...

Desculpas por não exigirmos que os piores criminosos trabalhem na cadeia...

Desculpas por deixarmos a violência assolar o país inteiro, 
enquanto blindamos nossos carros...

Desculpas por termos cuidado primeiramente dos direitos humanos dos criminosos, 
e não dos direitos da pessoas pobres honestas...

Desculpas por não termos vendido muito antes a energia do álcool ao mundo...

Desculpas por impedirmos que as escolas públicas se tornem centros de lazer e cultura
nos finais de semana...

Desculpas por utilizarmos sistematicamente os nossos inteligentes de Oxford, 
Harvard, Sorbonne e congêneres para projetar e manter, milimetricamente, 
o distanciamento social entre nós e vocês...

Desculpas por não sentirmos carinho genuíno nem ao menos por suas criancinhas, 
quanto mais por vocês...

Desculpas por não valorizarmos a sua cultura da alegria como antídoto
 para a cultura da violência...

Desculpas por desapropriarmos com facilidade quarteirões inteiros 
para construirmos viadutos, avenidas e metrôs,
qualquer coisa que permita superfaturamento,
mas nunca fazermos o mesmo para construirmos muitas quadras esportivas
 na periferia violenta...

Desculpas por não nos sentirmos parte de vocês...

Enfim, será que se nós pedirmos todas essas desculpas (e outras ainda), 
vocês nos perdoarão e concordarão, claro que após as devidas reparações, 
em construir conosco uma nação de verdade?
                                                                     
                                                                                        Humberto Cosentine

domingo, 30 de dezembro de 2012

Cem poemas bonitos do Brasil





28-  Luar do sertão 



                                          Catulo da Paixão Cearense 
                                       
                                                         e   João Pernambuco                    




Não há, ó gente, ó, não 
Luar como esse do sertão

Ó, que saudade
Do luar da minha terra 
Lá na serra branquejando

Folhas secas pelo chão 

Esse luar cá da cidade

Tão escuro 
Não tem aquela saudade 
Do luar lá do sertão 


Não há, ó gente, ó, não 
Luar como esse do sertão

Se a lua nasce 
Por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata 
Prateando a solidão

E a gente pega
Na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia 
A nos nascer no coração 

Não há, ó gente, ó, não 
Luar como esse do sertão

Coisa mais bela 
Neste mundo não existe
Do que ouvir-se um galo triste 
No sertão se faz luar

Parece até que alma da lua 
É que descanta 
Escondida na garganta 
Desse galo a soluçar 

Não há, ó gente, ó, não 
Luar como esse do sertão

Ah, quem me dera 
Eu morresse lá na serra 
Abraçado a minha terra 
E dormindo de uma vez

Ser enterrado
Numa grota pequenina 
Onde à tarde a sururina 
Chora a sua viuvez

Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão (2x) 



Cem poemas bonitos do Brasil





27- Tecendo a Manhã

                                                                João Cabral de Melo Neto




Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.



E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
 (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.






quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nós e vocês

                                                                       Humberto Cosentine


Nós temos a música,
vocês têm a guerra,

Quando nos reunimos com nossos amigos argentinos,
cantamos juntos canções das duas culturas e ficamos felizes.
Por que então desejamos a morte deles,
ao jogarmos futebol com eles?

Vocês têm a guerra,
nós temos a música.

Odiamos os norte-americanos
pela submissão que impõem a muitos povos,
mas amamos profundamente
Elvis, Bob Dylan, Michel Jackson e tantos novos.

Nós temos a música,
vocês têm a guerra.

Nos entusiasmamos com a beleza alegre e vital
das músicas fortemente percussivas dos africanos,
no entanto, a todo instante, no mundo inteiro, eles são relegados a um plano inferior,
somente pela cor de sua pele.

Vocês têm a guerra,
nós temos a música.

Ninguém gosta da arrogância dos europeus,
e de como colonizaram o mundo inteiro,
isso sem falar das suas recentes tentativas de destruir o gênero humano.
Todavia, como nos beneficiamos da beleza infindável e profunda da música clássica!

Nós temos a música,
vocês têm a guerra.

Precisamos muito de todas as vertentes da música dos povos orientais
para desenvolvermos meditação, harmonia, serenidade e até iluminação.
Por outro lado, assusta ver como eles parecem ser capazes de sugar friamente,
até a exaustão,
todos os recursos do resto do Planeta, para garantirem sua própria sobrevivência.

Vocês têm a guerra,
nós temos a música.

Vemos os povos primitivos de qualquer parte como um peso para a humanidade
e agimos no sentido de simplesmente eliminá-los,
porém, seus cantos sutis e hipnotizantes,
sempre acompanhados de movimentos sincrônicos que valorizam o coletivo
e a natureza,
auxiliam- nos a aceitar nossa condição de seres sociais e nossa ligação íntima
com a Terra.

Nós temos a música.
Mas quem são vocês?






sábado, 1 de dezembro de 2012

Textos bonitos.



1 - Eu me pergunto por que as coisas são como são                                       
                                         
                                                                  Christer Carter Koski


Durante meu primeiro ano no segundo grau, o Sr. Reynolds, meu professor de Inglês, entregou a cada aluno uma lista de pensamentos e declarações escrita por outros alunos e, em seguida, nos passou um dever de redação baseado num daqueles pensamentos. Com dezessete anos, eu estava começando a pensar a respeito de muitas coisas, por isso escolhi a declaração: "Eu me pergunto por que as coisas são como são."Naquela noite, escrevi, em formato de narrativa, todas as perguntas que me deixavam confusa acerca da vida. Percebi que muitas delas eram difíceis de responder e que talvez outras não pudessem ser respondidas de forma alguma. Quando entreguei o trabalho, estava com medo de me sair mal porque não tinha dado uma resposta à questão "Eu me pergunto por que as coisas são como são". Eu não tinha resposta. Só tinha escrito perguntas.No dia seguinte, o Sr. Reynolds me chamou junto ao quadro-negro e pediu que eu lesse minha declaração para os outros alunos. Entregou-me o trabalho e sentou-se no fundo da sala. A turma ficou em silêncio quando comecei a ler:


"Mamãe, papai... por quê? 
Mamãe, por que as rosas são vermelhas? Mamãe, por que a grama é verde e o céu é azul. Por que a aranha tem uma teia e não uma casa? Papai, por que eu não posso brincar com sua caixa de ferramentas? Professor, por que eu tenho que ler?  Mamãe, por que não posso usar batom para ir ao baile? Papai, por que não posso ficar na rua até meia-noite? Os outros garotos ficam. Mamãe, por que você me odeia?  Papai, por que as outras crianças não gostam de mim? Por que tenho que ser tão magra? Por que tenho que usar óculos e aparelho nos dentes? Por que tenho que ter dezesseis anos?  Mamãe, por que tenho que me formar? Papai, por que tenho que crescer? Mamãe, papai, por que tenho que ir embora? Mamãe, por que você não escreve com mais freqüência?  Papai, por que tenho saudades dos meus velhos amigos? Papai, por que você me ama tanto? Papai, por que você me mima? Sua garotinha está crescendo. Mamãe, por que você não me visita? Mamãe, por que é tão difícil fazer novos amigos? Papai, por que tenho saudades de casa?  Papai, por que meu coração dispara quando ele olha nos meus olhos? Mamãe, por que minhas pernas tremem quando eu ouço a voz dele? Mamãe, por que estar apaixonada é a melhor sensação do mundo?  Papai, por que você não gosta de ser chamado de "vovô"? Mamãe, por que os dedinhos do meu bebê se agarram com tanta força aos meus? Mamãe, por que eles têm que crescer? Papai, por que eles têm que ir embora? Por que eu tenho que ser chamada de "vovó"? Mamãe, papai, por que vocês tiveram que me deixar? Eu preciso de vocês.  Por que a minha juventude passou por mim? Por que meu rosto mostra todos os sorrisos que eu já dei a um amigo ou a um estranho? Por que meu cabelo brilha com um tom prateado? Por que minhas mãos tremem quando me abaixo para pegar uma flor? Por que, Deus, as rosas são vermelhas?"

Quando terminei minha história, meus olhos se encontraram com os olhos do Sr. Reynolds e eu vi uma lágrima correndo lentamente no seu rosto. Foi então que percebi que a vida nem sempre é baseada nas respostas que recebemos, mas também nas perguntas que fazemos.



sábado, 24 de novembro de 2012

Cem poemas bonitos do Brasil



26- As palavras

                              Vanessa da Mata  


As palavras saem quase sem querer
Rezam por nós dois
Tome conta do que vai dizer
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros.
Se quiser ouvir
É fácil perceber                                        

Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração

Tentei
Rasguei sua alma e pus no fogo
Não assoprei
Não relutei
Os buracos que eu cavei
Não quis rever
Mas o amargo delas resvalou em mim
Não me deu direito de viver em paz
Estou aqui pra te pedir perdão

As palavras fogem 
Se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem, ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cem poemas bonitos do Brasil





25- Hino à Bandeira Nacional
                                                                 
                                                                              Letra: Olavo Bilac
                                                              Música: Francisco Braga


Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.



Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!


Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.


Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!



       Contemplando o teu vulto sagrado,
       Compreendemos o nosso dever;
       E o Brasil, por seus filhos amado,
       Poderoso e feliz há de ser.

       

       Recebe o afeto que se encerra
       Em nosso peito juvenil,
       Querido símbolo da terra,
       Da amada terra do Brasil!


       Sobre a imensa Nação Brasileira,
       Nos momentos de festa ou de dor,
       Paira sempre, sagrada bandeira,
       Pavilhão da Justiça e do Amor!


       Recebe o afeto que se encerra
       Em nosso peito juvenil,
       Querido símbolo da terra,
       Da amada terra do Brasil!