Poucos com muito, muitos com pouco.
Por que isso é tão consistente, majoritário, imprescindível? Penso que há alguma motivação psíquica-profunda, não seria apenas consequência de sistemas econômicos. É como se houvesse um jogo mútuo de identidades.
Poucos com muito, muitos com pouco.
Por que isso é tão consistente, majoritário, imprescindível? Penso que há alguma motivação psíquica-profunda, não seria apenas consequência de sistemas econômicos. É como se houvesse um jogo mútuo de identidades.
Nós somos os melhores. É indiscutível. Mas, por isso, e por sermos muito emocionais, desperdiçamos muito talento. O mundo não pôde ver o Edu do Santos jogar em 66; o Ademir da Guia com Pelé em 74; o Ronaldo, jogar mais, com 18 anos em 94; o Romário com o Ronaldo em 98; Neymar e Ganso, arrebentando, em 2010. Será que erraremos também com o Endrick? O menino é craque, tem consistência e personalidade para jogar em 22. Sejamos mais generosos com nós mesmos.
Como na literatura, o futebol tem poetas e prosadores. Os dois visam a beleza e o resultado, mas os primeiros privilegiam a beleza, e os segundos, o resultado. Os maiores poetas do futebol foram Garrincha, Cruiff, Romário, Ronaldinho e Maradona; os maiores prosadores, Fridenreich, Pelé, Ronaldo Fenômeno, Cristiano Ronaldo e Messi. Claro que todos são prosadores e poetas, apenas aponto aqui o que prevalece em cada um.
Talvez a Psicologia devesse criar uma atividade coletiva geradora de saúde mental e emocional que pudesse ser uma opção para a ida a cultos. Certamente a ciência tem instrumentos para criar atividades de massa que protegeriam as pessoas de explorações de líderes religiosos criminosos, ao mesmo tempo que ofereciam processos de cura.
Eu acredito no diálogo entre esquerda e direita (fora autoritários e fascistas). Porque esquerda é a priorização do social, e direita é a priorização do individual.
Mas nós somos ao mesmo tempo sociais e individuais, o que justifica o diálogo.
Priorização do social equilibra o Brasil, pois já temos bastante espaço para o indivíduo. É por tudo isso que Lula é importante.
Dois presentes de Natal para o futuro da humanidade: renda básica mundial e limite de 100 milhões para herança pessoal. 💛💛💛
A morte de Marília Mendonça abre para a brutalidade do elitismo brasileiro. Ela não era uma referência feminista em meios intelectuais, mas interferia positivamente na mentalidade da maioria das mulheres, que ainda se submetem fortemente aos homens que amam. Ela falava para essa maioria, empoderando-a, não à minoria mais intelectualizada, que já realiza a superação dessa dependência afetiva.Mas nós , que estudamos um pouquinho mais, tendemos a nem conhecê-la, porque ela atuava no chão da sociedade. A rainha da sofrência não era contra amar muito, mas a favor da autonomia das mulheres. Porém isso não é percebido pelo andar de cima, porque o mundo de baixo nem existe (o mundo de Lula) . Ah, e ela não apoiava essa pessoa que colocaram na presidência.
A música brasileira é linda.
Dentro de nós, mora o antigo, no pior sentido, o da resolução das coisas pelo confronto. E não pela ação artística, aquela que traduz a experiência ao humano, este mistério que vibra incessante na história e em nós. Por isso a briga que se aprofunda, a troca de golpes. A música só não transformou o mundo definitivamente para melhor, ainda, porque não foi usada na dose certa. Antibióticos não fazem efeito se tomados esporadicamente, certo? Pois precisamos pensar assim para o efeito que a música pode nos trazer (vale para as outras artes também). Há que ela esteja presente todos os dias, maravilhosa, coletiva, para assim ajudar a revelar a promessa, boa e indizível, que profundamente se insinua no mais íntimo aqui. Beleza que a todo momento está prestes a abrir-se majestosa. Para tanto, regiões inteiras deverão ser tomadas por conjuntos musicais que misturarão música e dança (como na Paulista aos domingos, mas maior e mais cotidiano), produzindo uma imersão deliciosa, linda, provocadora, inescapável, no que está sempre presente (e que pode nos salvar), mas falta nascer.
Lembrete: a música brasileira é parteira das boas.
Eu não acredito que virá uma revolução definitiva capaz de tornar as pessoas boas e felizes. Acredito que sempre seremos uma mistura de problemas e satisfação. Mas em cada tempo (e em cada sistema) há o que ser feito para melhorar bastante a vida. Por exemplo, agora, uma renda básica seria uma benção para todos, não só para os pobres. E não tem nada a ver com comunismo.
Eu tenho uma teoria, que não posso comprovar. É a ideia de que existem dois Brasis, mas não o que se diz, um Brasil dos ricos e um Brasil dos pobres. Não, há dois Brasis completinhos, com pobres, ricos e remediados. Só que um nasceu dos engenhos bons e o outro nasceu dos engenhos maus. Os engenhos bons desenvolveram uma camaradagem - referida em Gilberto Freyre -, que percebemos até hoje em pessoas de todas as classes. E nos engenhos maus, em que os negros eram muito maltratados, torturados, queimados vivos, criou-se uma gente mais seca, violenta, sem empatia, que também está por aí até hoje. Pois bem, a elite desse Brasil mau promoveu entre os sécs. IXX e XX a chegada de europeus para embranquecerem o nosso povo e impedir a inclusão dos negros que saíram da escravidão, e boa parte dos brancos europeus dessa leva era racista.
Ora, tudo isso define a luta política principal em nosso país, como uma luta étnica entre o povo dos engenhos maus, aliado à maior parte dos europeus embranquecedores, contra o povo camarada dos engenhos bons, aliado a uma parcela mais humanista dos europeus embranquecedores.
Se isso for um pouco verdade, o nosso embate vai além da tensão burguesia x proletariado. Trata-se também de uma complexa luta étnica.