sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Pena de morte?

 Às vezes dá vontade de apoiar pena de morte, tal a violência de alguns criminosos. Mas essa pena tem defeitos muito grandes. Por exemplo, ela traz um forte sentido de vingança (matou, agora vai morrer também, olho por olho etc). E uma pena só faz sentido se buscar três objetivos: primeiramente proteger a sociedade do criminoso; em segundo lugar, tentar recuperá-lo para o bom convívio; em terceiro, não ser uma vingança.

A pena capital só cumpre o primeiro propósito. Para que ela pudesse ser talvez aceitável, precisaria não parecer vingança, ou seja, teria que não ser aplicada somente em casos de assassinato (olho por olho); além disso, haveria um julgamento adicional para a sociedade estabelecer que não consegue acreditar na recuperabilidade do réu e por isso decide não aceitar esse risco, por exemplo, no caso de alguém que estuprou e torturou várias crianças, mesmo sem matá-las. Ainda assim, sempre pesaria muito a quebra do direito humano à própria vida.  Complicado.

sábado, 29 de novembro de 2025

Uma escola assim

 Escola é um assunto difícil. E os pedagogos têm uma grande virtude e um grande defeito. A virtude é elaborar muitas perguntas na abordagem do tema e isso é essencial para a ciência. O defeito é quase sempre ficar só nas perguntas. Precisamos de mais respostas.  Algumas de que gosto:  o grande psiquiatra Gaiarsa disse uma vez que a escola deveria igualmente tratar das três partes do ser humano - a mente, o coração e o corpo. Ponto para ele. Já pensou uma escola que tivesse uma grade com um terço de atividades corporais e apenas um terço de atividades para a cabeça, com as aulas mais convencionais de sala de aula?  Outro ponto importante, que retiro dos estudos de superdotação e das várias inteligências, é que toda criança tem que ter o direito, o tempo e o espaço para aprofundar em um determinado interesse, assunto ou matéria, em qualquer das múltiplas inteligências, porque esta  é uma propensão natural e comum. Além disso, há que deixar os professores decidirem como será a integração dos neurodivergentes, pois serão eles que a conduzirão . É complexo? É, mas, pelo menos, começamos aqui com respostas claras e possivelmente consistentes.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Nazistas da boca pra dentro

 O nazismo é uma construção histórica, mas dentro dele há algo bem mais antigo, antropológico, psicossocial, relacionado ao tempo dos caçadores-coletores nômades, pois que tendiam a deixar para trás os doentes ou feridos gravemente (como os alpinistas ainda fazem). Ou seja, o princípio seletivo que embasa o nazismo vem de longe. E aqui vai a má noticia: está em todos nós, em doses variadas. Sim, eu também sou veemente ao afirmar minha postura contrária a qualquer exclusão seletiva, porém o nosso interior (Freud) é complexo, traz emanações inconscientes do passado profundo. Por isso, para vencermos os nazismos, a solução não é apenas afirmar a plenos pulmões nossa condenação a esses horrores, e colocar na cadeia seus agentes,  mas também olhar para dentro, vigiar e controlar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Meninos, eu vi.

 É preciso atenção com os meninos. Hoje, as meninas são estimuladas pelos pais a estudar para não depender de ninguém.  Mas os meninos, que ainda carregam fortemente a mensagem antropológica de que eles devem cuidar do sustento da família (quem deve pagar as despesas?), são estimulados a quê? A estudar bastante para não dependerem de ninguém? Não, porque isso é pressuposto para eles. . Assim, eles estão se sentindo abandonados, sem rumo, pois ainda estão tomados pelo antigo destino de proverem a família, enquanto a mulher cuidaria da prole. Então o que se vê nas escolas é meninas estudando muito mais dos que os meninos. É um problema social enorme. Pense nos casais que podem formar. O homem tentando inconscientemente ser o chefe, sem boa condição de trabalho, com uma mulher mais estudada e possivelmente ganhando mais do que ele.  Enfim, precisamos cuidar dos meninos, precisamos ensinar-lhes a estudar bastante para serem independentes e se relacionarem com as meninas de modo mais leve, com parceria e independência, livrando-os do fardo antropológico. (quem paga a despesa?)

sábado, 19 de abril de 2025

Cem anos de capitalismo socialista!

 Acho que sei por que quem considera o capitalismo o único sistema válido, e quem pensa que o socialismo puro é que é o único querem eliminar até fisicamente o outro. O que acontece é que essa polarização tão forte visa esconder de todos uma realidade mais forte e inegável: o mundo já vive o socialismo dentro do capitalismo,  e a grande transformação dialética que os chamados marxistas revolucionários esperam já está em curso gradativo em direção a uma síntese dos dois sistemas. Esses revolucionários costumam rejeitar e até desrespeitar os que pensam essas coisas, chamando-os de reformistas, que seriam interessados em disfarçar o capitalismo com falsas melhoras sociais para que ele continuasse eternamente. Aliás esses marxistas raízes são interessantes. Quando bem sucedidos economicamente , vivem felizes os privilégios pois sua crença de que a mudança só virá após o dia da revolução os redime de qualquer culpa. Mas e quanto ao socialismo que afirmo já existente? Será apenas disfarce? Minha resposta:  Para uma pessoa comum, será indiferente ter final de semana sem trabalho?  Férias?  Aposentadoria?  Educação gratuita?  SUS?  Limite de trabalho diário? Etc?  Pois é, tudo isso são práticas socialistas. Em uma fórmula:  onde  todos contribuem para cada um. E elas melhoraram muito a vida das pessoas. Enquanto o revolucionário descansa e usufrui do capitalismo, pessoas sérias promovem duramente a síntese entre os dois sistemas. Ora, o que foi dito aqui autoriza firmarmos que há pelo menos uns 100 anos vivemos em um capitalismo socialista. Antonio Candido tem um texto maravilhoso sobre isso.Bom,  se isso for aceito, haverá um gradativo desarmamento dos dois lados, pois ninguém estará iludido com o purismo (nenhum purismo é real) de que ou há somente o capitalismo ou somente o socialismo. É daí que brota aquela vontade de destruir os que defendem o outro lado. Não, estivemos, estamos e estaremos juntos até o fim, melhorando ou piorando a vida humana. Eu escolho melhorar, com mais práticas socialistas;  por exemplo, com tetos para a riqueza pessoal e para herança. E você, o que escolhe?