quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uai ou why?


Não tenho pesquisas científicas para  apoiar essa tese , pelo menos,  se elas existem, eu desconheço*, mas tenho uma forte suspeita de que a expressão mineira “uai” deriva da palavra inglesa why.  Em primeiro lugar, porque as duas palavras são sonoramente idênticas e, em segundo lugar, porque o uai costuma ser usado no início das frases e quase sempre introduz uma certificação ou explicação para determinado assunto.

Mas como teria surgido essa derivação?  Ora, todos nós sabemos muito bem que engenheiros ingleses vieram ao Brasil construir estradas de ferro  para escoar a produção de minérios em Minas Gerais, ou administrar empresas de mineração lá.  Engenheiros são pessoas cartesianas, que buscam metodicamente explicações para orientar seus passos lógicos no trabalho.  Não é difícil que os nossos nativos, vamos chamá-los assim, no afã de imitar aqueles ingleses “superiores”, tenham tido sua atenção voltada para aquela palavrinha que com muita freqüência aparecia no começo das frases desses estrangeiros  acostumados a questionar muito: why.  Daí para imitar o som desse intróito, como uma maneira de se identificar com aqueles homens importantes,  não custou muito.  E então surgiu o nosso gostoso “uai”. 

Uai é why, uai!  Será?

*  A bem da verdade, parece que um professor mineiro  (não consegui seu nome) forneceu subsídios para  essa explicação no V Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes, realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, em Agosto de 2001.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil



11- Casamento
                                                                                   Adélia Prado
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

domingo, 30 de outubro de 2011

A leitura de poemas melhora sua expressão verbal




Ler poemas é o melhor que você pode fazer para aperfeiçoar sua expressão escrita ou falada.  Mas ler da maneira mais livre possível.  Nada de se obrigar a terminar a leitura de um poema que é muito difícil ou “chato”.  Não, leia apenas o que quiser,  o que lhe parecer interessante ou bonito:  o começo do poema, o final, apenas um verso, o título ou  uma expressão lá no meio que lhe chame a atenção por qualquer motivo.  Não leve muito em conta  indicações do tipo “este poema é obrigatório” ou, “é o melhor exemplo da escola literária x”.  Sem essa! O objetivo não será estudar poesia.  Guie-se apenas pelo que lhe despertar beleza ou lhe parecer muito significativo (no sentido simples de ter muito significado). E, para tanto, “navegue” à solta por todos os poemas que encontrar,  famosos ou não. Se um poema lhe surgir como repleto de destaques interessantes, aí sim você poderá lê-lo por inteiro.  Mas, no mais das vezes, faça a busca livre que proponho.

Por que fazer isso melhora a capacidade de escrever ou falar? 

Porque os poetas são exímios criadores de expressões verbais com alta densidade informacional (expressam muito com pouco), simplicidade e beleza. Três importantes qualidades da boa expressão verbal.  Pois bem,  ao selecionar pedacinhos dos poemas, é quase certo que você  estará tendo contato com bons exemplos da escrita que traz as características apontadas acima e, muito importante, que são do seu agrado, por isso esses seus achados  tenderão a, por afinidade e qualidade,  fazer parte da “caixinha de ferramentas” de sua própria expressão verbal e aumentar eficazmente sua capacidade de escrever e falar bem.  Bem: necessário, simples e bonito.  



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil



10- A valsa

                                        Casimiro de Abreu

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos, 
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P'ra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De arnores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!...

Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!

Quem dera
Que sintas!...
— Não negues
Não mintas...
— Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
Eu vi!

domingo, 23 de outubro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil






        9-  Homem-Woman                              Décio Pignatari  


         

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil







8- Profundamente
                                                                                        Manuel Bandeira

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

4- Que palavra é esta?


Argumentação que conclui contrariamente ao que propôs inicialmente.

a)      evasão
b)      paradoxo
c)      consagração
d)      contrariar
e)      negligência  

domingo, 2 de outubro de 2011

As que valem mais.



As pessoas comuns são as mais importantes.


Basta pensar que, sem elas, as maravilhas que a humanidade produz não poderiam existir, pois não haveria a força necessária para isso, nem para retroalimentar isso.  


Se não houvesse os destaques (celebridades), as pessoas comuns tocariam a vida mesmo sem brilhantismos, talvez com menos possibilidades (talvez com menos destruição do planeta), mas tocariam.


E é por isso que a educação básica é tão valiosa:  ela lapida justamente as pessoas mais importantes, as comuns, nós.


Porém, o melhor dos mundos não seria o mundo modesto das pessoas comuns sem os destaques.  O mundo mais rico e humano será o que considerar as pessoas comuns como as mais importantes e, ao mesmo tempo, tratar carinhosamente seus destaques, desde a educação básica,  para que estes não sintam o impulso de se afastar de (ou mesmo negar) a sua condição de pessoas comuns. Desse modo, sentindo-se aceitos,  continuariam realizando suas grandes obras , só que agora mais voltados para o bem de todos. Nós todos (incluindo eles, os destaques).


domingo, 25 de setembro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil



7-  Canção amiga


                          Carlos Drummond de Andrade  



Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.



Cem poemas bonitos do Brasil



6 - Canto Esponjoso

                       Carlos Drummond de Andrade

Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul 

     completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.


Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cem poemas bonitos do Brasil


5 - Soneto da fidelidade
                                     
                                       Vinicius de Moraes 

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Cem poemas bonitos do Brasil



4 - A rosa de Hiroxima
                                     Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sabe por que Jesus Cristo não teve 35 alunos, digo, discípulos?


    Porque ele não era bobo.
     Se tivesse escolhido mais do que 12 discípulos, digamos, 35, a comunicação com eles não seria a mesma, para dizer o mínimo.
     Imagine-O precisando repetir várias vezes as mesmas mensagens para o grupo, porque o pessoal do “fundo” não ouviu direito.  Ou tendo que repreender Pedro e Tiago por causa da conversa paralela.  Não, Jesus não era bobo.
     E a Santa Ceia, então?  Primeiro que não caberiam todos na mesma mesa, depois, que o falatório seria tão grande que ele não conseguiria sequer chamar a Maria Madalena quando ela estivesse um pouco longe.  Quanto ao fornecimento de comida para o grupo, tudo bem, sabemos do que Ele era capaz.  Mas a coisa toda seria, convenhamos, pouco harmoniosa, ainda mais se considerarmos o vinho!
     Cristo falava alto e tinha muita autoridade, porém, na convivência prolongada, a tendência seria os alunos, quero dizer, os discípulos ficarem mais à vontade na presença dele; a bem da verdade, muito mais à vontade, se é que me entendem.  A partir daí, teríamos, certamente, manifestações bastante explícitas de sua parte no sentido de retomar o controle da comunicação, o que significa, entre outras coisas, manifestar ira.  Nas preleções, em meio a grande alvoroço, pode-se imaginar Cristo perdendo a paciência diante da total falta de atenção de alguns discípulos, que estariam até mesmo, pasmem, jogando bolinhas de papiro um no outro!
     Seguramente, ele acabaria dizendo muito mais do que uma vez a famosa frase  "Pai, afasta de mim esse cálice!".
     Mas Cristo era Cristo, sabia o que fazia.  Escolheu só doze, que é o número ideal para o chamado, em psicologia, pequeno grupo humano, próprio para ações conjuntas, uma vez que a comunicação em tempo hábil é fácil e farta, tanto do líder para o grupo, quanto no sentido inverso, ou entre todos os membros.  Além disso, o campo visual de cada participante consegue sempre enquadrar a todos, favorecendo assim a coesão do grupo.
     É, Jesus sabia das coisas... 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Escrever rapidamente uma palavra em um papel qualquer, geralmente resolve nossa dúvida ortográfica. Por que isso dá certo?



Quando escrevemos rapidamente, sem pensar muito na palavra, deixamos de acionar a memória auditiva da mesma, utilizando somente a memória visual.  E nessa memória a palavra encontra-se escrita corretamente.  A memória auditiva é a causadora de nossas confusões ortográficas, porque a escrita do português é bastante fonêmica, ou seja, acompanha bem de perto os sons das palavras, porém, como todos sabem, alguns sons admitem várias formas escritas (o som “s” pode ser representado em português por S, SS, SC, Ç, XC), então, ao acionarmos a memória auditiva, falando mentalmente as palavras na hora de escrevê-las,  acionamos diversas possibilidades de escrita. Pronto! Surge a confusão.


Por isso, a dica é: ao sentir dúvida ortográfica, escreva rapidamente, sem “ouvir” a palavra, e assim você sentirá uma espécie de incômodo se a escrita estiver errada, ou uma sensação boa se for a versão correta.


E, claro, se a dúvida persistir, consulte um dicionário.

terça-feira, 28 de junho de 2011

1 - Que palavra é esta?


 Divisão de um elemento ou processo em várias partes para melhor estudá-lo.

a)      desde
b)      análise
c)      comunidade
d)      próprio
e)      ambiente