terça-feira, 25 de janeiro de 2022

A melhor parteira

 A música brasileira é linda.

Dentro de nós, mora o antigo, no pior sentido, o da resolução das coisas pelo confronto. E não pela ação artística, aquela que traduz a experiência ao  humano, este mistério que vibra incessante na história e em nós. Por isso a briga que se aprofunda, a troca de golpes. A música só não transformou o mundo definitivamente para melhor, ainda, porque não foi usada na dose certa. Antibióticos não fazem efeito se tomados esporadicamente, certo? Pois precisamos pensar assim para o efeito que a música pode nos trazer (vale para as outras artes também). Há que ela esteja presente todos os dias, maravilhosa, coletiva, para assim ajudar a revelar a promessa, boa e indizível, que profundamente se insinua no mais íntimo aqui.  Beleza que a todo momento está prestes a abrir-se majestosa. Para tanto, regiões inteiras deverão ser tomadas por conjuntos musicais que misturarão música e dança (como na Paulista aos domingos, mas maior e mais cotidiano), produzindo uma imersão deliciosa, linda, provocadora, inescapável, no que está sempre presente (e que pode nos salvar), mas falta nascer.

Lembrete: a música brasileira é parteira das boas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Brasil


          O Brasil tem um recado para o mundo.

Humanidade explode, irmão.

Parem de apertar a humanidade. Ela pode explodir.

Revoluchão

 Eu não acredito que virá uma revolução definitiva capaz de tornar as pessoas boas e felizes. Acredito que sempre seremos uma mistura de problemas e satisfação. Mas em cada tempo (e em cada sistema) há o que ser feito para melhorar bastante a vida. Por exemplo, agora, uma renda básica seria uma benção para todos, não só para os pobres. E não tem nada a ver com comunismo.

domingo, 23 de janeiro de 2022

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Para além de Marx ou O Brasil não é fácil, não.


Eu tenho uma teoria, que não posso comprovar. É a ideia de que existem dois Brasis, mas não o que se diz, um Brasil dos ricos e um Brasil dos pobres. Não, há dois Brasis completinhos, com pobres, ricos e remediados. Só que um nasceu dos engenhos bons e o outro nasceu dos engenhos maus. Os engenhos bons desenvolveram uma camaradagem - referida em Gilberto Freyre -, que percebemos até hoje em pessoas de todas as classes. E nos engenhos maus, em que os negros eram muito maltratados, torturados, queimados vivos, criou-se uma gente mais seca, violenta, sem empatia, que também está por aí até hoje. Pois bem, a elite desse Brasil mau promoveu entre os sécs. IXX e XX a chegada de europeus para embranquecerem o nosso povo e impedir a inclusão dos negros que saíram da escravidão, e boa parte dos brancos europeus dessa leva era racista. 


Ora, tudo isso define a luta política principal em nosso país, como uma luta étnica entre o povo dos engenhos maus, aliado à maior parte dos europeus embranquecedores, contra o povo camarada dos engenhos bons, aliado a uma parcela mais humanista dos europeus embranquecedores.


Se isso for um pouco verdade, o nosso embate vai além da tensão burguesia x proletariado. Trata-se também de uma complexa luta étnica.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Por um mundo simpático


Meu sistema ideal seria um sistema de fases. Uma para cada etapa da vida. Para a primeira infância, seria o comunismo (Alguém em sã consciência defenderia que um bebê fosse menos alimentado que outro?). Até a adolescência, seria o socialismo - de cada um, conforme sua capacidade, principalmente escolar; a cada um, também segundo sua capacidade. A juventude teria o socialismo de mercado, em que tudo seria um pouco público e um pouco privado, em doses diversas, com mercado humanizado e muita proteção social .  Para os jovens adultos, haveria o capitalismo; de cada um conforme sua capacidade mais a de outros que conseguir agenciar ; a cada um, de acordo com o que conseguir (jovens gostam de riscos e já completaram a formação básica). Para os adultos, haveria a volta ao socialismo de mercado . Por fim, na maturidade, a partir dos 85 anos, teríamos o comunismo novamente (Alguém defenderia em sã consciência que uma pessoa muito velha recebesse menos cuidados do que outra?). Pronto, resolvido!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Gastronomia e redação



Se você estiver querendo melhorar sua redação para vestibular, assista ao MasterChef. Porque há uma forte analogia entre os dois trabalhos. O concorrente recebe a instrução sobre o que vai cozinhar (proposta) e vai para a escolha de ingredientes e da concepção de seu prato (trabalho de garimpagem na coletânea e em repertório próprio, tanto dos elementos para os argumentos quanto para a definição da tese a ser defendida). Em seguida começa a cozinhar. Inicialmente prepara os ingredientes (o difícil trabalho de transformar as informações selecionadas em argumentos - informatividade) e começa propriamente a cozinhar, a produzir os sabores (construção dos parágrafos no sentido de conterem  afirmações ; explicações ; citações de autoridades, obras, pesquisas; figuras de linguagem; exemplos; etc) sempre voltados para a concepção escolhida para o prato. Então ele  é montado (verificação da progressão, das ligações entre os parágrafos, da composição introdução/ desenvolvimento) e por fim vem o toque final (a conclusão: retomada do texto não repetitiva, com uma dimensão reflexiva atrelada ao texto e sentido de fecho.

Pronto, pode servir! 
Com muito sabor e saber.



sábado, 2 de setembro de 2017

Brasil, lugar do indesejado



O Brasil é importante para o mundo, por ter uma diversidade étnica, mas principalmente pelo fato de que os grupos étnicos indesejados no mundo inteiro - negros, pardos e indígenas -, serem aqui, juntos, maioria. Isso significa que não há como nosso país se desenvolver  sem integrar perfeitamente essas etnias à sociedade. Por isso, o mundo mantém uma relação tensa e contraditória com o Brasil: quer suas riquezas (inclusive culturais), mas o despreza socialmente. Os outros países intuem (e rejeitam) o modelo de integração étnica para o Planeta, que surgirá aqui, se o Brasil se desenvolver plenamente.

Difícil, isso.















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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Mísseis nucleares: que sejam de todos

   


A América Latina, desde o México até Argentina, deveria construir uma base de mísseis nucleares conjuntamente. Vocês já notaram que países que têm armas nucleares não são invadidos? Assim, os países daqui ficariam livres para sempre das tão recorrentes e destrutivas ingerências de países hegemônicos. E estes não poderiam alegar corrida nuclear, porque, pelo contrário, estaria se garantindo a paz em boa parte da América, já que, obviamente, não se poderia usar essas armas em conflitos regionais. Além disso, poderia influenciar o surgimento de bases mundiais que reuniriam todos os artefatos nucleares de todos os países, impossibilitando de vez um conflito nuclear , mantendo-se essas armas apenas para enfrentamento de ameaça extraterreste (sério). É estranho, eu sei, mas não parece fazer  sentido?

domingo, 16 de abril de 2017

Português brasileiro para o mundo



Ideia muito polêmica mesmo

A característica de flexibilidade do português brasileiro permite que se pense em uma reforma desse idioma descartadora do aspecto burocrático e formalista das múltiplas exceções às regras e da literalidade lusa, mas valorizadora de sua flexibidade a ponto de torná-la uma das línguas mais fáceis para se aprender, do mundo todo.

E se pensarmos na atratividade da cultura brasileira a partir de seus traços de alegria, musicalidade, criatividade e principalmente acolhimento, essa língua poderá se tornar, com a reforma referida, forte candidata a terceira língua de muita gente espalhada pelo Planeta.

Uma língua cultural de eleição. Mas profissional também: à medida em que o Brasil for resolvendo seus entraves socioculturais e socioeconômicos, oportunidades oferecidas pelas empresas brasileiras espalhadas pelo mundo serão cada vez maiores e mais atraentes.

Eu topo isso.

terça-feira, 14 de março de 2017

Social-Capitalismo?



E se o Estado for grande o suficiente para fazer as políticas sociais e a desoneração da atividade empresarial, garantindo justiça social e mais negócios e empregos? As políticas sociais incluiriam todas as bolsas sociais. Para a desoneração, o INSS, com financiamento ampliado, faria o pagamento das férias, da licença-maternidade e outras, deixando os direitos trabalhistas garantidos e o empresário seguro para criar mais empregos. Uma alternativa ao Estado mínimo neoliberal e ao Estado expandido que só faz a parte social. Uma espécie de social-capitalismo.

Será que pode?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dicas para redação de vestibular



Dicas para a redação de vestibular, pensadas a partir dos erros e das dificuldades que mais aparecem no plantão do Anglo e na correção das redações. Acho que pode ser útil:

1. Leia bem a proposta. Ela é uma instrução.  Perceba detalhes.  Siga-a respeitosamente. Leve em conta as palavras-chaves do tema.

2. Leia bem a coletânea.  Mergulhe em seus textos em busca de repertório que o auxilie a argumentar em favor de sua tese/opinião. Marque tudo que for interessante. Anote.  "Texto lido é texto riscado" (Lucy).

3. Defina sua tese.  Ela funciona como uma espinha dorsal orientadora dos seus argumentos.  Se não há tese, os argumentos defenderão o quê?

4. Tendo a tese e os argumentos, pronto!  Você tem o projeto de texto.

5. Introdução: apresenta e envolve.    Intro (dentro) + dução (conduzir) =  levar (o leitor) para dentro. Inclui uma contextualização/problematização e uma indicação de tese (ou a tese).  Obs.: há outros modelos, mas esse é mais fácil.
Ah! Precisa ser bem clara para atrair o leitor.

6. Desenvolvimento:  é a argumentação, a defesa da tese/opinião.  Se bem que todas as partes do texto são argumentativas, todas visam convencer o leitor da validade da tese.

7. Conclusão:  faça referência aos pontos principais da argumentação e, a partir disso, realize uma espécie de reflexão, muito atrelada aos argumentos (não é para sair voando) e relacionada à tese.

8. Conclusão para o Enem:  provavelmente conterá intervenções.  Escolha dois ou três (melhor) agentes sociais, estruture suas ações, concretize-as, detalhe-as. Não seja vago ou genérico.  Além disso relacione-as aos problemas colocados nos argumentos. Esse casamento é muito importante. Atenção, intervenções não são exclusividade do Enem, você pode incluí-las em redações de qualquer vestibular.

9. Para construir o texto, você precisa ter dentro de si um pedreiro, um engenheiro, um arquiteto e um supervisor.

O arquiteto faz o projeto de texto. O engenheiro decide qual repertório (da coletânea e próprio) utilizar em cada parágrafo. E o pedreiro transforma o repertório escolhido em argumentos, com a escolha de palavras (tijolos) e conexões/pontuação (cimento).  O supervisor fica o tempo todo verificando se há falhas no trabalho dos três.

10. Evite dialogar com o leitor (você ...), usar a primeira pessoa do singular (eu), frases muito longas, parágrafos com apenas uma frase, argumentar ou incluir novas informações na conclusão, repetir a mesma palavra muitas vezes, pôr vírgula entre sujeito e predicado, usar "onde" para se referir a algo que não seja lugar, gastar muito mais do que uma hora para a redação, quebrar paralelismo sintático (pesquise), usar conectivos errados.

11. Perguntas (do supervisor) que você deverá ficar fazendo a você mesmo durante toda a feitura da redação:

1- Essa palavra é adequada ao que quero expressar?
2- As frases estão completas?
3- Os parágrafos têm foco? Estão apoiando a tese? Estão interligados, como um passo levando ao outro?
4- Estou controlando bem o tempo?
5- A tese está clara?
6- Estou respeitando mesmo a proposta?
7- Estou nervoso demais? (Se sim, vá ao banheiro e faça algumas caretas para o espelho).
8- Usei a coletânea pelo menos um pouco, ou como pede a proposta?
9- É vírgula ou ponto entre as orações?  Vírgula indica complementação lógica.  Ponto indica retomada do assunto imediato.
10- A conclusão passa a ideia de fecho/fim?
11- Estou deixando bom espaço para a intervenção? (+/- 9 linhas) (Enem)

Boa redação!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Revolução e economia de mercado



A cirurgia de transplante do coração foi desenvolvida na vigência do capitalismo e é fruto do desenvolvimento contínuo do conhecimento humano desde os primeiros tempos.

A economia de mercado também é algo que vem se desenvolvendo desde o início da humanidade, embora caracterize muito o capitalismo. A divisão de alimentos entre os membros do grupo primevo, passando pelo escambo, até chegar no mercado dinâmico atual é a trajetória de um mecanismo que evoluiu a ponto de, com os avanços da computação e da comunicação, realizar a alocação de recursos de forma cada vez mais minuciosa, com capilaridade e precisão.

Ora, se um dia saírmos do capitalismo para um outro modo de produção, deixaremos para trás os frutos do progresso contínuo do conhecimento e do capitalismo?  Deixaremos para trás, por exemplo, o transplante de coração? Claro que não! Mas a economia de mercado também não!

Pois você dirá:  "Só que ela é responsável pelo consumismo, o qual está acabando conosco e com o planeta. Como isso pode ser comparado ao transplante de coração em termos de benignidade?"

A explicação é delicada, mas clara.  Quando se pensa em liberdade de mercado, esquece-se de que sempre existem condições de partida - o lugar onde se vende o produto, o tipo de propaganda, os impostos inclusos nos preços, a quantidade de agrotóxicos, etc.  E essas condições podem ser modificadas, visando o melhor benefício (ou malefícios) para os consumidores.

É como no esporte, em que há também condições de partida, na forma de parâmetros para o livre jogo.  No futebol, por exemplo, há o tamanho e o peso da bola, o tamanho do campo, a grama, o número de jogadores e várias outras regras. Conforme essas condições iniciais, o jogo pode ficar mais veloz, mais violento, mais belo, enfim.

Pois o mesmo pode acontecer com o mercado de cada produto, ou seja, modificando-se as condições iniciais, pode-se alterar o modo como o mercado se dá.  Isso significa que a sociedade pode alterá-lo no sentido do desejo social.  Quando o governo da Califórnia resolve diminuir drasticamente os impostos de automóveis elétricos e estabelecer um percentual do mercado para eles, ele está alterando esse mercado sem engessá-lo, o qual se estabelecerá a partir das condições postas. O caso do cigarro também mostra isso. O que a sociedade deseja em relação a esse produto?  Deseja que seu consumo diminua, se possível, até desaparecer.  Proibir o comércio não resolve, já se sabe. Então, o que foi feito? Proibiu-se a propaganda e exigiu-se a inclusão, nas embalagens, de divulgação contundente dos seus malefícios.  O que falta ainda? Tirá-lo das padarias, deixar que esse comércio seja feito em casas especializadas e discretas.

Bem, isso pode ser feito para cada produto, sempre de acordo com o que a sociedade deseja.  Movimentos nessa direção podem ser verdadeiramente transformadores e produzirem uma sociedade funcional, mais justa, que possibilite até mesmo uma dimensão socialista ou cooperativista. Há espaço aqui para uma política revolucionária.

Por isso afirmo que a economia de mercado não desaparecerá e poderá superar o consumismo em favor dos melhores desígnios humanos.