quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Mísseis nucleares: que sejam de todos

   


A América Latina, desde o México até Argentina, deveria construir uma base de mísseis nucleares conjuntamente. Vocês já notaram que países que têm armas nucleares não são invadidos? Assim, os países daqui ficariam livres para sempre das tão recorrentes e destrutivas ingerências de países hegemônicos. E estes não poderiam alegar corrida nuclear, porque, pelo contrário, estaria se garantindo a paz em boa parte da América, já que, obviamente, não se poderia usar essas armas em conflitos regionais. Além disso, poderia influenciar o surgimento de bases mundiais que reuniriam todos os artefatos nucleares de todos os países, impossibilitando de vez um conflito nuclear , mantendo-se essas armas apenas para enfrentamento de ameaça extraterreste (sério). É estranho, eu sei, mas não parece fazer  sentido?

domingo, 16 de abril de 2017

Português brasileiro para o mundo



Ideia muito polêmica mesmo

A característica de flexibilidade do português brasileiro permite que se pense em uma reforma desse idioma descartadora do aspecto burocrático e formalista das múltiplas exceções às regras e da literalidade lusa, mas valorizadora de sua flexibidade a ponto de torná-la uma das línguas mais fáceis para se aprender, do mundo todo.

E se pensarmos na atratividade da cultura brasileira a partir de seus traços de alegria, musicalidade, criatividade e principalmente acolhimento, essa língua poderá se tornar, com a reforma referida, forte candidata a terceira língua de muita gente espalhada pelo Planeta.

Uma língua cultural de eleição. Mas profissional também: à medida em que o Brasil for resolvendo seus entraves socioculturais e socioeconômicos, oportunidades oferecidas pelas empresas brasileiras espalhadas pelo mundo serão cada vez maiores e mais atraentes.

Eu topo isso.

terça-feira, 14 de março de 2017

Social-Capitalismo?



E se o Estado for grande o suficiente para fazer as políticas sociais e a desoneração da atividade empresarial, garantindo justiça social e mais negócios e empregos? As políticas sociais incluiriam todas as bolsas sociais. Para a desoneração, o INSS, com financiamento ampliado, faria o pagamento das férias, da licença-maternidade e outras, deixando os direitos trabalhistas garantidos e o empresário seguro para criar mais empregos. Uma alternativa ao Estado mínimo neoliberal e ao Estado expandido que só faz a parte social. Uma espécie de social-capitalismo.

Será que pode?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dicas para redação de vestibular



Dicas para a redação de vestibular, pensadas a partir dos erros e das dificuldades que mais aparecem no plantão do Anglo e na correção das redações. Acho que pode ser útil:

1. Leia bem a proposta. Ela é uma instrução.  Perceba detalhes.  Siga-a respeitosamente. Leve em conta as palavras-chaves do tema.

2. Leia bem a coletânea.  Mergulhe em seus textos em busca de repertório que o auxilie a argumentar em favor de sua tese/opinião. Marque tudo que for interessante. Anote.  "Texto lido é texto riscado" (Lucy).

3. Defina sua tese.  Ela funciona como uma espinha dorsal orientadora dos seus argumentos.  Se não há tese, os argumentos defenderão o quê?

4. Tendo a tese e os argumentos, pronto!  Você tem o projeto de texto.

5. Introdução: apresenta e envolve.    Intro (dentro) + dução (conduzir) =  levar (o leitor) para dentro. Inclui uma contextualização/problematização e uma indicação de tese (ou a tese).  Obs.: há outros modelos, mas esse é mais fácil.
Ah! Precisa ser bem clara para atrair o leitor.

6. Desenvolvimento:  é a argumentação, a defesa da tese/opinião.  Se bem que todas as partes do texto são argumentativas, todas visam convencer o leitor da validade da tese.

7. Conclusão:  faça referência aos pontos principais da argumentação e, a partir disso, realize uma espécie de reflexão, muito atrelada aos argumentos (não é para sair voando) e relacionada à tese.

8. Conclusão para o Enem:  provavelmente conterá intervenções.  Escolha dois ou três (melhor) agentes sociais, estruture suas ações, concretize-as, detalhe-as. Não seja vago ou genérico.  Além disso relacione-as aos problemas colocados nos argumentos. Esse casamento é muito importante. Atenção, intervenções não são exclusividade do Enem, você pode incluí-las em redações de qualquer vestibular.

9. Para construir o texto, você precisa ter dentro de si um pedreiro, um engenheiro, um arquiteto e um supervisor.

O arquiteto faz o projeto de texto. O engenheiro decide qual repertório (da coletânea e próprio) utilizar em cada parágrafo. E o pedreiro transforma o repertório escolhido em argumentos, com a escolha de palavras (tijolos) e conexões/pontuação (cimento).  O supervisor fica o tempo todo verificando se há falhas no trabalho dos três.

10. Evite dialogar com o leitor (você ...), usar a primeira pessoa do singular (eu), frases muito longas, parágrafos com apenas uma frase, argumentar ou incluir novas informações na conclusão, repetir a mesma palavra muitas vezes, pôr vírgula entre sujeito e predicado, usar "onde" para se referir a algo que não seja lugar, gastar muito mais do que uma hora para a redação, quebrar paralelismo sintático (pesquise), usar conectivos errados.

11. Perguntas (do supervisor) que você deverá ficar fazendo a você mesmo durante toda a feitura da redação:

1- Essa palavra é adequada ao que quero expressar?
2- As frases estão completas?
3- Os parágrafos têm foco? Estão apoiando a tese? Estão interligados, como um passo levando ao outro?
4- Estou controlando bem o tempo?
5- A tese está clara?
6- Estou respeitando mesmo a proposta?
7- Estou nervoso demais? (Se sim, vá ao banheiro e faça algumas caretas para o espelho).
8- Usei a coletânea pelo menos um pouco, ou como pede a proposta?
9- É vírgula ou ponto entre as orações?  Vírgula indica complementação lógica.  Ponto indica retomada do assunto imediato.
10- A conclusão passa a ideia de fecho/fim?
11- Estou deixando bom espaço para a intervenção? (+/- 9 linhas) (Enem)

Boa redação!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Revolução e economia de mercado



A cirurgia de transplante do coração foi desenvolvida na vigência do capitalismo e é fruto do desenvolvimento contínuo do conhecimento humano desde os primeiros tempos.

A economia de mercado também é algo que vem se desenvolvendo desde o início da humanidade, embora caracterize muito o capitalismo. A divisão de alimentos entre os membros do grupo primevo, passando pelo escambo, até chegar no mercado dinâmico atual é a trajetória de um mecanismo que evoluiu a ponto de, com os avanços da computação e da comunicação, realizar a alocação de recursos de forma cada vez mais minuciosa, com capilaridade e precisão.

Ora, se um dia saírmos do capitalismo para um outro modo de produção, deixaremos para trás os frutos do progresso contínuo do conhecimento e do capitalismo?  Deixaremos para trás, por exemplo, o transplante de coração? Claro que não! Mas a economia de mercado também não!

Pois você dirá:  "Só que ela é responsável pelo consumismo, o qual está acabando conosco e com o planeta. Como isso pode ser comparado ao transplante de coração em termos de benignidade?"

A explicação é delicada, mas clara.  Quando se pensa em liberdade de mercado, esquece-se de que sempre existem condições de partida - o lugar onde se vende o produto, o tipo de propaganda, os impostos inclusos nos preços, a quantidade de agrotóxicos, etc.  E essas condições podem ser modificadas, visando o melhor benefício (ou malefícios) para os consumidores.

É como no esporte, em que há também condições de partida, na forma de parâmetros para o livre jogo.  No futebol, por exemplo, há o tamanho e o peso da bola, o tamanho do campo, a grama, o número de jogadores e várias outras regras. Conforme essas condições iniciais, o jogo pode ficar mais veloz, mais violento, mais belo, enfim.

Pois o mesmo pode acontecer com o mercado de cada produto, ou seja, modificando-se as condições iniciais, pode-se alterar o modo como o mercado se dá.  Isso significa que a sociedade pode alterá-lo no sentido do desejo social.  Quando o governo da Califórnia resolve diminuir drasticamente os impostos de automóveis elétricos e estabelecer um percentual do mercado para eles, ele está alterando esse mercado sem engessá-lo, o qual se estabelecerá a partir das condições postas. O caso do cigarro também mostra isso. O que a sociedade deseja em relação a esse produto?  Deseja que seu consumo diminua, se possível, até desaparecer.  Proibir o comércio não resolve, já se sabe. Então, o que foi feito? Proibiu-se a propaganda e exigiu-se a inclusão, nas embalagens, de divulgação contundente dos seus malefícios.  O que falta ainda? Tirá-lo das padarias, deixar que esse comércio seja feito em casas especializadas e discretas.

Bem, isso pode ser feito para cada produto, sempre de acordo com o que a sociedade deseja.  Movimentos nessa direção podem ser verdadeiramente transformadores e produzirem uma sociedade funcional, mais justa, que possibilite até mesmo uma dimensão socialista ou cooperativista. Há espaço aqui para uma política revolucionária.

Por isso afirmo que a economia de mercado não desaparecerá e poderá superar o consumismo em favor dos melhores desígnios humanos.




quinta-feira, 21 de julho de 2016

Como ser um conservador sem se tornar um reacionário




Para tanto, considere quatro afirmações e duas atuações:


1. A sociedade é um ser autônomo. Ela age de forma sistemática e por conta própria. Ela assassina, estupra, aborta, em taxas cientificamente verificáveis.
2. Você tem um pensamento próprio sobre cada ação social problemática, e querer estrangular a sociedade para que aja conforme seu pensamento seria reacionário.
3. A maioria, como um todo, tem um pensamento predominante em relação a cada ação social.4. Políticas públicas são criadas para aproximar a ação social do pensamento da maioria.

Você só pode agir legitimamente - sem se tornar reacionário - de duas maneiras:
a) Influenciar a maioria para que pense como você, desde que essa ação não fira os direitos humanos.
b) Influenciar as políticas públicas para que representem o mais possível o que você pensa.


Agora um exemplo hipotético de aplicação desse tutorial: 

 O aborto.

A sociedade pratica muito o aborto e isso produz grande sofrimento humano. Digamos que você seja totalmente contrário ao aborto, e que a maioria (sempre supondo) seja favorável à legalização até três meses de gestação. A política pública poderia ser legalizar o aborto até um estágio próximo ao que a maioria aceita.

A sua influência legítima poderia levar à diminuição desse tempo legal e à inclusão de um programa educacional sobre sexo seguro, acessível a homens e mulheres, cujo intuito seria o de diminuir a necessidade de abortar.

Pronto! Você atuou aqui como um conservador, mas não como um reacionário. 😉

terça-feira, 21 de junho de 2016

Vida verdadeira


A política que estamos sofrendo nesse exato momento tem como principal objetivo destruir, em cada um de nós, a vontade genuína de ser.  Mas eu sou teimoso. Vou continuar sonhando por toda a minha vida. Insensatamente. Apaixonadamente. E tenho certeza de que, mais à frente, o Brasil será um belo lugar para se estar.

domingo, 31 de janeiro de 2016

O fim da relação senhor-escravo



Vou assustar, de início.

O problema principal  da humanidade é a gigantesca memória afetiva dos benefícios produzidos pela relação senhor-escravo.  Isso mesmo, a civilização que conhecemos precisou desse esquema para chegar até aqui.  Muitas pessoas trabalharam muito e desumanamente para que outros poucos pudessem desenvolver o pensamento e a tecnologia.

Se Aristóteles tivesse que capinar e caçar todos os dias para sobreviver, não teria feito a obra que fez. 

Claro que essa civilização precisa ser criticada e transformada, e que há outros formatos de civilização, por exemplo, dos silvícolas brasileiros, que embora não tenham prevalecido, não foram, felizmente, totalmente extintos, pois serão imprescindíveis para a mudança que virá.

Porém, hoje, mesmo já havendo, por força do desenvolvimento alcançado, a possibilidade de superar a polarização senhor-escravo (escravo, servo, operário – na sequência histórica), não conseguimos ultrapassá-la.  Porque a memória afetiva é mesmo muito presente.  Quando vamos a um restaurante, vamos apenas em busca de comida? Não, vamos em busca também da representação da relação senhor-escravo.  Há escravos para servir, para cozinhar, e nós ficamos ali como senhores (senhores, nobres, patrões – na sequência histórica).  Exigimos qualidade, presteza, cortesia e quase sempre sentimos ali uma surpreendente harmonia.

Por isso, para superar esse dualismo, precisaremos de uma nova política baseada na psicologia, na psicoterapia - que provisoriamente eu chamo de “psicoterapia do lado público do homem” -, capaz de desarmar essa memória afetiva e abrir caminho para uma nova sociedade mais igualitária. Mas essa técnica ainda não existe, precisa ser criada.

É isso. Espero que minha interpretação possa ter transformado o susto inicial em complexa esperança. 




terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Cem poemas bonitos do Brasil





46 - Ternura
                                         Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Profissão


Escolher uma profissão não é escolher o que se ama fazer.  Eu amo tomar sorvete. Não, escolher uma profissão é escolher o modo como poderemos ser mais úteis à nossa comunidade. Isso, sim, gera um prazer imenso e que atende pelo nome de satisfação profissional.

Ora, somos mais úteis onde somos mais hábeis. Por isso, se estiver escolhendo sua profissão, primeiramente levante quais são suas habilidades e competências mais destacadas (No que você é bom?): paciência; habilidade com pessoas, coisas ou informações; percepção visual, sonora ou cinestésica;  capacidade de ouvir; liderança; habilidade em comunicação pública; facilidade  em interpretar textos; organização; preocupação com detalhes; facilidade com números; detenção de conhecimentos específicos ou gerais; raciocínio rápido; fazer várias coisas ao mesmo tempo, tolerância a rotinas pesadas; criatividade, etc.  Você pode aumentar essa lista o quanto quiser.

Em seguida, selecione as profissões que lhe são atraentes e descubra qual delas envolve o maior número de suas maiores habilidades e competências, pois quanto maior for esse número, mais você poderá se diferenciar positivamente, ou seja, ser mais útil e conseguir sucesso profissional por isso. E só assim você poderá, um belo dia, sentir até mesmo que ama o que faz.  


domingo, 30 de agosto de 2015

Brasil



Não vai ter golpe. Não vai ter golpe. Não vai ter golpe. 
Sabe o que isso significa? 
Significa que teremos que criar vergonha na cara e arrumar pra valer a escola pública. Para que a vida de todos seja possível, nutritiva e linda.  Não se assuste. A vida é morena. 
Caia por cima de mim, morena!



domingo, 26 de abril de 2015

Cem poemas bonitos do Brasil




45-  O que é - simpatia
                                              Casimiro de Abreu

(A uma menina)


Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.


Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.


São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.


Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agôsto,
É o que m'inspira teu rosto...
Simpatia - é  quase amor!



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Alimento gratuito

                                                                                                         
                                                                                 
É estranho.  Pensamos que um homem digno seja aquele que trabalha pela sua sobrevivência, pelo seu alimento, mas isso é próprio do animal.  E que se ele tiver alimento e outras condições básicas garantidas, tornar-se-á um parasita, não quererá ir além  disso e perderá a noção de ética.

É estranho porque admite-se que somos seres muito complexos, inegavelmente capazes de muitas sofisticações inacessíveis aos outros seres vivos, inclusive, e principalmente, para além da sobrevivência.  Então, é contraditório definir a luta pela sobrevivência – própria dos animais – como elemento definidor da condição humana.  E que sem ela cairíamos em prostração.

Pensando bem, isso não vale nem mesmo para animais. Pets não lutam pela sobrevivência e costumam ser adoráveis.

Podemos sim ter, para todos, a base da sobrevivência garantida e continuarmos interessados em criar novas soluções e outras sofisticações.  Eu iria além.  Essas garantias aumentariam em nós a ânsia pelo específico humano.

O contra-argumento irá certamente pela citação da possibilidade, já testemunhada por muitos, de pessoas que tiveram uma vida fácil (garantida) e se acomodaram, ou de famílias muito pobres que após receberem ajuda financeira sistemática, não se interessaram mais em trabalhar.  Mas uma análise um pouco mais acurada desses casos quase sempre revela confusões, nessas famílias, entre afeto e bens materiais, e outros discursos duplos, neuróticos.  Ou seja, a causa da desintegração seria outra que não a segurança para a sobrevivência.

Enfim, por essa ótica, talvez seja possível inferir que o medo em relação a sistemas como o Bolsa-Família seja na verdade o medo de que os muito pobres se humanizem e deixem de, aos olhos dos mais ricos, parecerem meros animais.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cem poemas bonitos do Brasil



44- Noite carioca

                                                            Murilo Mendes



Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
tão gostosa
que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde.
Casais grudados nos portões de jasmineiros...
A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada,
recebe na sala de visita todos os navios do mundo
e não fecha a cara.
Tudo perde o equilíbrio nesta noite,
as estrelas não são mais constelações célebres,
são lamparinas com ares domingueiros,
as sonatas de Beethoven realejadas nos pianos dos bairros distintos
não são mais obras importantes do gênio imortal,
são valsas arrebentadas...
Perfume vira cheiro,
as mulatas de brutas ancas dançam o maxixe nos criouléus suarentos
 
O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.



sábado, 25 de outubro de 2014

Reflexão


Duas moças

            (9/10/2014)  

            Hoje observei no supermercado duas moças muito tranquilas e sorridentes, muito provavelmente de poucos recursos econômicos. Mas chamou-me a atenção que suas vestimentas, embora simples, tinham uma boa qualidade. Além disso, conversavam animada e descontraidamente sobre filmes a que assistiram recentemente e outros assuntos. Mas o que realmente me fez prestar atenção nelas foi a sua postura segura, de cabeça levantada, embora sem arrogância. Elas manifestavam poder social.

           Então lembrei-me de como era comum no Brasil vermos pessoas "humildes" nesses mesmos supermercados, trajando roupas precárias, com uma postura medrosa em relação aos frequentadores com melhor condição econômica, sempre baixando os olhos e com os ombros encolhidos. E pensei: será que não é esse o principal fator, e não tanto a preocupação com a corrupção, que está levando alguns a votarem em Aécio Neves? Ver essas pessoas felizes, seguras, empoderadas socialmente talvez os esteja chocando ou incomodando inconscientemente.


           Se for isso mesmo, é muito triste. Por que não é bonito para todos que aquelas simpáticas moças possam se sentir bem e contentes dentro da sociedade que, obviamente, também é delas?