sábado, 12 de outubro de 2013

Socorro! Quero tempo livre para criar!





Toda a evolução tecnológica humana dependeu de se permitir tempo livre para o trabalho de alguns inteligentes. 

Infelizmente, para isso foi preciso sobrecarregar maiorias com trabalho sufocante (escravos, servos, operários). Porém, como o trabalho intensivo de muitos é mais visível do que o tempo livre de poucos, tendemos a associar o progresso muito mais a trabalho exaustivo do que a tempo livre para criar, e este erro é a barreira principal que impede a nossa entrada a uma nova etapa da humanidade em que todos trabalharão menos e terão tempo livre para criar. Por causa dessa inversão, seguimos mantendo sobrecarregados os que estão trabalhando, enquanto muitos permanecem ansiosamente desempregados. Enfim, todos, de um modo ou de outro, sem tempo confortável para criar. Trata-se de um bloqueio intelectual. 

E a escola faz o quê?  Segue nessa linha, manifestando verdadeiro pavor do tempo livre e impondo rotina trabalhosa, rotineira e entediante. Pena.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Escola também é cultura





Existe cultura sem escola, mas existe escola sem cultura?

Muitas vezes é essa a impressão que a escola passa.  Parece querer se independer da cultura.  Conhecimentos escolares/acadêmicos seriam uma categoria estanque separada do saber cotidiano, dos valores, das regionalidades, da arte em geral, do bom senso, do “jeito” de viver, da maneira de lidar com as tecnologias , enfim, de tudo que reconhecemos como sendo a cultura humana de uma dada comunidade.

Eu diria que quanto mais a escola tenta essa aventura vazia, a de se independer da cultura, mais se mostra insuficiente, alienante e improdutiva.

1. Pesquisar/estudar a bibliografia a respeito dessa interação e da resistência a essa interação, conhecer o pensamento sobre isso dos atores envolvidos diretamente com a escola é um caminho que gostaria de trilhar.

2. Em seguida, haveria que se verificar a validade da inclusão na escola de atividades culturais que não fossem “reféns” das atividades escolares, ou seja, que não fossem meras matérias-primas para as atividades escolares típicas, e sim que tivessem seu valor em si reconhecidas dentro da escola, como parte fundamental da formação do educando.

3. Outras linhas que se seguiriam a essas: conhecer profundamente um sistema educacional que valorize a vivência cultural dentro do processo escolar (parece que é o caso da Finlândia), e conhecer outro que não o faz (parece que é o caso do Brasil – nossas escolas podem ter fanfarras, mas não podem ter escolas de samba), pois assim teríamos dados da realidade e elementos concernentes da literatura científica que poderiam ser inter-relacionados para um resultado final consistente e, possivelmente, revelador de um vetor para a criação de uma escola integrada culturalmente e compatível com os novos tempos, os quais surgem e urgem.

4. Pesquisar a implicação da descoberta das várias inteligências humanas no desmonte da escola que conhecemos, isolada da cultura – causa possível: consideração quase exclusiva das inteligências lógico-linguística e lógico-matemática – e, por conseguinte, implicação dessa descoberta na criação da nova escola, que, ao reconhecer a diversidade intelectual e emocional humanas, aceitará sua plena imersão na cultura – produto óbvio de todos, vale dizer, de todas as inteligências humanas. 

5. A respeito da literatura sobre cultura, talvez seja um bom ponto de partida as elaborações teóricas propositoras de que a cultura faz-se muito mais na recepção do que na emissão.  Pois que os conhecimentos típicos produzidos na escola têm características universais (equação de 3º grau é equação de 3º grau no mundo inteiro), mas a forma como esses conhecimentos são percebidos, ou trabalhados, ou aprendidos, sofrem uma influência da cultura presente em cada ser humano envolvido no processo.  Daí a importância de se pesquisar a relação recepção-cultura. Talvez por isso, os grandes centros de pesquisa do mundo inteiro valorizam a multietnia na formação das equipes de pesquisadores.  Múltiplas e sutis diferenças produzindo enriquecimento do processo. 

6. No que tange à abordagem da arte no contato proposto escola-cultura, talvez fosse interessante estudar os teóricos que afirmam a capacidade da arte de ser produtora e expressão de conhecimentos, pensando-se aqui no conhecimento mais facilmente reconhecido como conhecimento escolar/acadêmico.  

7. Quanto à escola, talvez caiba detectar a presença da cultura ou a falta dela em todas as propostas para o trabalho com projetos de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, mas também pesquisar os autores que consideram os conhecimentos tipicamente escolares como produtos culturais.

8. Uma outra possibilidade talvez bastante original para essa pesquisa seria o levantamento de, p. ex., como os Prêmios Nobel de um país, ou pesquisas marcantes feitas por seus pesquisadores têm elos de identificação com traços de sua cultura.  Apenas a título de tentativa de encontrar evidências, poder-se-ia citar a “improvisação” de Cesar Lattes nas emulsões das chapas fotográficas que detectaram a sub-partícula méson-pi (o Nobel foi para o chefe de sua equipe, mas foi ele, Lattes, o responsável pela descoberta).  O que teria de brasileiro nisso?  Ora, o nosso desprendimento em relação aos trâmites mais tradicionais, nossa habilidade (para o bem e para o mal) para a improvisação, o “jeitinho brasileiro”, enfim, essa coisa meio iconoclasta. Quanto às teorias que relativizam o tempo e o espaço, qual país, visto pelos seus traços culturais mais característicos, melhor do que a Alemanha – geralmente associada a aprofundamento filosófico - para fazer essas descobertas.

Vale explicar que estou citando esse prêmio por ser muito conhecido e fácil de ser pesquisado, mas há outros indicadores, claro. E que estou trabalhando com ele por representar bem o conhecimento escolar ou acadêmico. 

Provavelmente, Prêmios Nobel ganhos por um mesmo país estejam relacionados com um traço cultural forte seu. É possível que as descobertas japonesas se caracterizem por serem muito minuciosas e precisas, que as argentinas sejam mais relacionadas à emoção e à impulsividade (Ivan Isquierdo?), etc.  Cabe pesquisar, seria uma evidência forte do quanto os conhecimentos escolares/acadêmicos, embora com marcas de universalidade, não são independentes de cada cultura humana.

Enfim, itinerários de uma pesquisa que tenha a força de desmistificar a tendência que sentimos nos ambientes escolares de abordar os conhecimentos como se eles fossem isolados, autônomos, ou esterilizados em relação à cultura imediata.




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil





37- Ou isto ou aquilo

                                      Cecília Meireles      




Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
 

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
 

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
 

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
 

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


 



domingo, 25 de agosto de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil




36 - Ismália 

                                                                                       

                                                             Alphonsus de Guimaraens



Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...





domingo, 28 de julho de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



35 - Ao Luar

                                                                                    Augusto dos Anjos


Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha táctil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado…
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



34 - Sentimento do mundo


                                      Carlos Drummond de Andrade

                                       

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.



terça-feira, 11 de junho de 2013

Porque, por que, por quê e o porquê.



(1) Por que tantos?  (2) Por quê?  (3) Bem, é possível sim entender por que há todas essas formas.  (4) Isso acontece porque nossa língua portuguesa tem apreço por marcar diferenças sutis.  (5) Esse é de fato o porquê de tamanha variedade.

Se você prestou bem atenção no parágrafo acima, percebeu que para introduzir a questão, foi usado o por que separado tanto em (1) como em (3), ou seja, não é preciso haver o ponto de interrogação para usar essa forma. Já para introduzir a questão com o por que separado no final, usou-se o acento circunflexo  no quê em (2).  Porém, para introduzir a resposta à questão, foi utilizado o porque junto em (4).  Por fim, como sinônimo de resposta, ou explicação, ou razão para a questão, usou-se a expressão "o porquê", com artigo o, porquê junto e  acento circunflexo no ê (5).

Ficou claro, pessoal?



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



33- Ame
         
                          Paulinho da Viola 


Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar

Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?




segunda-feira, 3 de junho de 2013

E se acabássemos também com as vogais mudas?




Nenhuma língua terá algum dia uma escrita totalmente fonética ou organizada logicamente, mas como penso que nós brasileiros temos um problema sério com  o uso de nossa língua materna, e isso vale tanto para os que não sabem tanto, quanto para os que sabem bastante  -  basta ver como em reuniões a tarefa de escrever a ata passa de mão em mão como uma batata quente, ou melhor, fervente - creio que dois esforços precisam ser levados a efeito para melhorar essa paúra nacional:  1- Flexibilizar a norma culta para acolher os modos brasileiros de expressão, e 2- Avançar no sentido de simplificar e/ou tornar mais lógica a escrita do português.  

Vou me ater aqui ao segundo esforço.  O acordo ortográfico vai nesse sentido.  Uma mesma escrita para todos os falantes do Português  no mundo inteiro é uma boa pedida.  "Fato" continua significando "terno" lá em Portugal, mas a maneira de se grafar qualquer palavra tenderá a ser uniforme em todo  o mundo lusofônico.

 E uma das boas medidas desse acordo foi acabar (ou quase) com as consoantes mudas (existiam sem serem pronunciadas).  

Mas terminaram com o trema e muita gente não gostou disso.  Eu quero propor aqui uma solução radical para a falta do trema:  a eliminação das vogais mudas.   Isso mesmo.  Se as consoantes mudas caíram, por que não fazer o mesmo com as suas congêneres vogais?

Assim teríamos uma solução boa para a falta do trema.  "Linguiça teria a pronúncia do u". Já  "quero" seria substituído por "qero".  Ou seja, se a vogal aparece na palavra, ela tem que ser pronunciada.

O único ajuste adicional (mas que será percebido certamente como um pouco estranho) será reservar para a letra j o som "jjjjjjjj", e para a letra g  o som "gue".  Assim, "guerra" passará a ser grafada como "gerra" (o som jjjjj será exclusivo da letra j, lembram-se?); e "gente" será grafada como "jente".  

Qe tal? 







terça-feira, 21 de maio de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



32- Apagar-me      

                                     

                                             Paulo leminski

                                                                                                                        
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.




domingo, 5 de maio de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil





31- Disparada

                                                     de Geraldo Vandré e Theo de Barros


I

Prepare o seu coração
Prás coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar…

II

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte, o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar…

III

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu…

IV

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei…

V

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei…

VI

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente…

VII

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

VIII

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer mais longe que eu

IX

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei





quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil





 30 a lua no cinema

                                      Paulo Leminski
  


      A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
      a história de uma estrela
que não tinha namorado.


      Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
      dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!


      Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
      e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.


      A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
      que até hoje a lua insiste:
 - Amanheça, por favor!




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cem poemas bonitos do Brasil



29 - Bem no fundo 

                         
                                  Paulo Leminski



No fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
a gente gostaria 
de ver nossos problemas 
resolvidos por decreto 

a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela — silêncio perpétuo 

extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja que olhas pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 

mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos 
saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas.




quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Frases minhas do Face - 2





* Quando estiver vivendo um bom momento, não pense que ele vai acabar, pense que ele está existindo.




* Proponho um sistema que proteja as crianças das loucuras dos adultos. Nos EUA e orientais, é o sucesso a qualquer custo; em países governados pela religião, há a imposição fanática que sempre acaba em guerra ou em comportamentos excruciantes; quanto a países de corruptos como o nosso, as crianças são simplesmente abandonadas. E há muitas outras loucuras adultas sendo impostas às crianças pelo mundo afora.  Como as crianças dependem dos adultos mais próximos, torna-se necessário um sistema poderoso que possa impedir ou minimizar tudo isso.



* Até hoje, todas revoluções foram absorvidas pelo sistema. Que a próxima revolução absorva o sistema!

 


* O socialismo será implementado quando der lucro.

 

* E se a gente fosse para uma rua, em grande grupo, e a limpasse completamente, com todo o cuidado que reservamos aos espaços internos de nossas casas? Não seria um ato político bacana?




domingo, 6 de janeiro de 2013

Escola

                                                                                                    
Esse assunto me fascina, mas também entristece porque é muito difícil de resolver.  No intuito de produzir algum esclarecimento útil, vou tentar abordá-lo por um ângulo mais especificamente educacional, e não pelo ângulo costumeiro que localiza sua crise como um interesse político reacionário (desejo de manter as pessoas na ignorância para melhor controlá-las).
Há mais ou menos quarenta anos, a escola (ótima para os oito alunos de cada classe que conseguiam se formar no ginásio), na tentativa de ser menos repressora e excludente, procurou criar técnicas que ensinassem mais a quem aprendia pouco, ou, o que é quase a mesma coisa, que ensinassem a quem não queria aprender.  Passado esse tempo, o saldo é o pior possível, pois quem não quer aprender continua igual; e quem quer, sente-se como que relegado a um injusto segundo plano.  Com isso, até mesmo esses últimos (com raríssimas exceções) ficam muito despreparados, abaixo de seus respectivos potenciais.

Nesse ínterim e nesse sentido, foram desenvolvidos e aplicados monstrengos teóricos como o “construtivismo”, que basicamente coloca uma ênfase absurda na construção do conceito por parte do aprendiz – aquele processo de aulas divertidas que termina com o aluno dizendo “Entendi!” –   mas que despreza completamente outras etapas fundamentais, as quais envolvem treinamento, como a de ensinar o aluno a aplicar esses conceitos e, a mais importante, de ensiná-lo a aplicá-los bem e em um tempo socialmente hábil  (não adianta o médico saber como é a operação, ou precisar de 30 dias para fazê-la com qualidade,  é necessário que a faça bem e em tempo aceitável).  

Enfim, estacionando os alunos na fase do “Entendi!”,  não permitimos que sua ação fosse enriquecida pelo “conhecimento” adquirido.

A solução: para ensinar os que não querem aprender, ou que aprendem pouco, o caminho é levar em conta o que já se sabe sobre as várias inteligências humanas, para assim procurar e ensinar mais o que cada um quer mais aprender.  E ensinar completamente, vale dizer, passando por todas as etapas referidas aqui.

O ser humano é diverso, plural e precisa de treinamento para integrar o conhecimento à sua realidade; portanto, que as escolas sejam assim também.  Escolas multifacetadas e treinadoras.
                                                                                                         Humberto Cosentine